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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A ganância do PMDB por ministérios pode fazer com que a legenda rompa com Dilma

Hoje à noite (15), a cúpula do PMDB se reunirá para tentar fechar posição sobre a reforma ministerial de Dilma. Foto: F. Campana
Irritada com a resistência da presidente Dilma Rousseff em dar mais um ministério para o PMDB, a cúpula do partido resgatou uma ideia antiga: antecipar de junho para abril a convenção nacional que discutirá o caminho da legenda nas eleições presidenciais deste ano. Na prática, a antecipação do calendário guarda uma ameaça velada: o risco de desembarque do PMDB do governo. 

O Palácio do Planalto ainda vê o gesto como blefe e, ao menos por ora, duvida de uma saída drástica como essa. O partido tem cinco ministérios (Minas e Energia, Previdência, Turismo, Agricultura e Secretaria de Aviação Civil) e quer ganhar a Integração Nacional.

O mapa atual da convenção do PMDB revela que os Estados insatisfeitos com o Planalto somam mais de 50% dos 742 votos. Há problemas no Rio, Maranhão, Amapá, Ceará, Bahia, entre outros. Presidente do PMDB, o senador Valdir Raupp (RO) disse que a ameaça de realizar pré-convenção ocorreu como reação. “Uma coisa puxa a outra.”

Em conversa preliminar na noite de segunda-feira (13) com o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), Dilma afirmou que precisa contemplar outros aliados, como PTB, Pros e PSD, e evitar que eles migrem para o campo da oposição. No encontro, a presidente disse que o PSD de Gilberto Kassab está sub-representado, e que PTB e Pros ainda não tem cargos no primeiro escalão. Ambos ficaram de falar novamente.

Ao deixar a reunião, Temer seguiu para sua residência oficial, onde se encontrou com integrantes da cúpula peemedebista para comunicá-los da posição do Planalto sobre a reforma ministerial. Nos bastidores, diversos integrantes da legenda começaram a circular a proposta de antecipar a convenção partidária, alternativa enfaticamente negada pelo vice em dezembro, quando os mesmos rumores começaram a circular.

No mês passado, durante encontro com jornalistas, ele havia dito que, se o PMDB seguisse esse caminho, não haveria volta. À época, afirmou que a legenda não poderia antecipar a convenção, desembarcar do governo, ser atendido e, então, fazer outra convenção para voltar.

Ele também afirmou, à época, que tal manobra poderia custar a vice ao PMDB, o que não seria vantajoso para a sigla e muito menos para ele.

Clima pesado

O clima no PMDB é o pior possível. Hoje à noite (15), a cúpula da sigla se reunirá para tentar fechar posição. Mas a ameaça de desembarque do governo é vista com ceticismo no Executivo. O PMDB teria dificuldades de migrar para a campanha de Eduardo Campos (PSB-PE), diante da resistência da ex-senadora Marina Silva em receber uma legenda tida, em sua maior porção, como fisiológica. No PSDB, com a provável candidatura do senador Aécio Neves (MG), o ingresso é visto como mais fácil.

*Com informações da Folhapress

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